Cenário Atual da Imunização contra VSR

Desde 2023, a estratégia de proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em lactentes nos EUA baseia-se na vacinação materna durante a gestação ou na administração de anticorpos monoclonais de longa duração (nirsevimabe). Com a recente aprovação do clesrovimabe pelo FDA em junho de 2025, o Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP) ampliou as opções disponíveis, estabelecendo o clesrovimabe como uma alternativa terapêutica equivalente ao nirsevimabe.

Evidências Clínicas e Perfil de Eficácia

A recomendação do clesrovimabe baseia-se em um estudo de fase 2b/3, randomizado e duplo-cego, que avaliou a prevenção de infecções do trato respiratório inferior (ITRI) com necessidade de atendimento médico. Os resultados demonstraram uma eficácia de 60,4% na redução de ITRI e de 90,9% na prevenção de hospitalizações por VSR em lactentes, com acompanhamento de 150 dias após a dose única.

Ponto de Decisão Clínica: Não há preferência estabelecida entre clesrovimabe e nirsevimabe. A escolha deve ser guiada pela disponibilidade do produto, preferência dos pais e cronograma do primeiro sazonal do lactente. Ambos os produtos garantem proteção passiva, eliminando a dependência da transferência transplacentária de anticorpos.

Conduta e Posologia: O que muda para o prescritor

A administração é recomendada para lactentes com menos de 8 meses que estejam entrando na primeira temporada de VSR e que não tenham sido protegidos via vacinação materna. Diferente do nirsevimabe, que possui posologia ajustada pelo peso, o clesrovimabe é administrado em dose fixa de 105 mg por via intramuscular.

  • Momento da aplicação: Preferencialmente no nascimento, durante a internação, ou no início da temporada de circulação do vírus (outubro a março, no hemisfério norte).
  • Coadministração: O clesrovimabe pode ser administrado simultaneamente às vacinas de rotina do calendário infantil.
  • Exceções: Lactentes nascidos até 14 dias após a vacinação materna geralmente não necessitam de anticorpo monoclonal, salvo em condições específicas de risco aumentado ou falha na resposta imune materna.
Alerta de Segurança: O clesrovimabe é contraindicado em pacientes com histórico de reações alérgicas graves (anafilaxia) a qualquer componente da fórmula. Eventos adversos significativos devem ser reportados aos sistemas de farmacovigilância (como o MedWatch para produtos isolados ou o VAERS em caso de coadministração com vacinas).

Considerações sobre a Prática Clínica

A flexibilidade na janela de administração é uma diretriz importante, permitindo que autoridades de saúde locais adaptem o calendário conforme a sazonalidade específica da região. Em cenários de incerteza ou mudanças climáticas, o julgamento clínico deve prevalecer para otimizar a proteção durante os picos de transmissão, sempre consultando as diretrizes regionais de saúde pública.

Referência: Use of Clesrovimab for Prevention of Severe Respiratory Syncytial Virus–Associated Lower Respiratory Tract Infections in Infants: Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices — United States, 2025. Danielle Moulia, Ruth Link‐Gelles. MMWR, 2025. DOI: 10.15585/mmwr.mm7432a3